Biocombustíveis podem levar africanos à fome

21:56 Postado por zé loureiro
 
O projeto que vem sendo discutido entre Brasil, União Européia e União Africana, a respeito dos biocombustíveis a serem plantados na região africana, tem recebido inúmeras críticas.
Primeiramente, como já foi falado, mesmo que haja negação por parte de alguns países, não se pode excluir a possibilidade de uma nova colonização na África, tornando-a novamente dependente do mundo. Caso isso venha a acontecer, a África não tem condições de auto-recuperação, o que prejudicaria ainda mais a situação do continente.
Em reunião, o delegado do Brasil afirmou que o principal objetivo será regular a produção, para que não haja um déficit no preço dos alimentos nem causar poluição, já que: “Biocombustível é desmatar!”. Ressaltando que o Brasil é hoje o maior produtor de biocombustíveis do mundo e só utiliza 1% de suas terras, a plantação não interferirá direta ou indiretamente no preço dos alimentos. Foi afirmado por outro delegado que a fome na África não é causa pelo espaço onde há plantações, mas sim pela má distribuição de alimentos, ou seja, produzir biocombustíveis não afetará a fome.
A forma mais barata de se produzir biocombustíveis é queimando-se a cana-de-açúcar, o que afeta diretamente o meio ambiente, não sendo esse o propósito da produção. Quanto a esse assunto, o delegado do Brasil, que pareceu ser o porta-voz da reunião, disse que estão sendo planejadas técnicas para que não seja mais preciso realizar a queima da cana, tornando o biocombustível totalmente puro e limpo.
A política da União Européia (UE) e dos Estados Unidos da América (EUA) visando desenvolver em África a produção de biocombustíveis causou um fluxo das multinacionais para a aquisição das terras aráveis dos países africanos, denunciou um relatório do Banco Mundial (BM). No relatório, enviado este fim de semana à imprensa em Bruxelas, o BM preveniu que esta política vai provocar a deslocação de milhões de camponeses africanos que serão obrigados a abandonar as suas plantações e "condenados à fome". Para o Banco Mundial, esta aquisição de vastas extensões de terras agrícolas é condenável ao mesmo título que a aquisição pelas multinacionais petrolíferas de vastas extensões de florestas cujos habitantes são expulsos, a favor da exploração de petróleo, nomeadamente na América Latina. O aumento da procura de biocombustíveis nos países desenvolvidos vai empobrecer os camponeses africanos, sublinhou o relatório do BM, que indicou que atualmente cinco milhões de hectares em África foram concedidos a multinacionais com vista à produção de biocombustíveis. Segundo o relatório, esta política causará conflitos entre estas multinacionais e as populações locais.
Estabelecer uma moratória de cinco anos para a atual produção de biocombustíveis e legitimar o direito à não deportação dos famintos são duas soluções para ajudar a diminuir a fome no mundo, segundo a ONU.

Esta afirmação foi feita em outubro de 2007 em entrevista coletiva concedida pelo relator especial das Nações Unidas para o Direito à Alimentação, o suíço Jean Ziegler, prevendo o que aconteceria hoje. Segundo os dados coletados pela equipe do suíço, "a fome continua aumentando ano após ano".                                                                                                                                                                         
"A cada dia, 24 mil pessoas morrem de fome e 100 mil (morrem) por causas relacionadas à desnutrição, o que resulta em um total de 35 milhões de mortes ao ano", afirmou. "Quando, segundo dados da FAO (Fundo para a Agricultura e a Alimentação da ONU), o mundo produz alimentos suficientes para 12 bilhões de pessoas, ou seja, duas vezes a população mundial, cada criança que morre de fome é um assassinato", acrescentou. O relator acredita que não é preciso somente acabar com os famintos, mas evitar que seu número aumente. Por isso, propõe legitimar o direito de que os cidadãos que não podem se alimentar não sejam deportados, e evitar que os terrenos agrícolas sejam destinados à fabricação de biocombustível, em vez de serem usados para produzir alimentos. "Na África, há 202 milhões de famintos que não podem se alimentar e que arriscam suas vidas para chegar à Europa e poder viver, e nós deveríamos permitir isto", disse.
Ele criticou a União Européia (UE) por querer concluir um acordo de livre-comércio com o grupo de países da "zona ACP" (ex-colônias européias que se tornaram independentes recentemente na África, no Caribe e no Pacífico) que, em sua opinião, "vai beneficiar apenas o norte". Segundo Ziegler, os países ACP não têm margem de manobra para negociar por causa das ajudas recebidas do bloco europeu, que os deixam dependentes da UE. "O acordo só aumentará o número de famintos", afirmou.
O relator da ONU disse que outra medida que poderia evitar o crescimento do número de famintos, que estaria em 854 milhões, seria o estabelecimento de uma moratória de cinco anos na produção de biocombustíveis. "A transformação em massa de plantios destinados aos alimentos em terrenos voltados à produção de biocombustíveis vai criar hecatombes", ressaltou. Ele explicou que, para produzir 5 litros de etanol, são necessários 230 quilos de milho, quantidade que alimentaria uma criança durante um ano. "Eu entendo a necessidade de controlar as emissões de gases de efeito estufa, mas não se pode colocá-la à frente da vida das pessoas", acrescentou.
Por isso, ele pede uma moratória para que os cientistas possam desenvolver técnicas que permitam fabricar biodiesel a partir de produtos não comestíveis, como o cacto. "Infelizmente, as zonas áridas aumentam a um ritmo de 1,2 quilômetros ao ano, mas pelo menos teremos os cactos", disse.


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